| quarta-feira, 9 de novembro de 2011 | 0 comentários |
O Bicho de Manuel Bandeira

 Vi ontem um bicho
Na imundicie do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.



Retratos

| sábado, 6 de agosto de 2011 | 0 comentários |
Os antigos retratos de parede
não conseguem ficar longo tempo abstratos.


Às vezes os seus olhos te fixam, obstinados
porque eles nunca se desumanizam de todo.



Jamais te voltes para trás de repente.
Não, não olhes agora!



O remédio é cantares cantigas loucas e sem fim...
Sem fim e sem sentido...

Dessas que a gente inventava para enganar a solidão dos caminhos sem lua.




(Mario Quintana)

Pensamentos I

| domingo, 6 de março de 2011 | 0 comentários |
Tinha que existir uma pintura totalmente
livre da dependência da figura - o objeto - que,
como a música, não ilustra coisa
alguma, não conta uma história e não lança
um mito. Tal pintura contenta-se em evocar
os reinos incomunicáveis do espírito,
onde o sonho se torna pensamento, onde o
traço se torna existência.

(Michel Seuphor)

Conclusões

| segunda-feira, 24 de janeiro de 2011 | |
       O desconhecimento de suas possibilidades internas e dos segredos que se aninham nas profundezas de sua alma tornou o homem cético a respeito de seu próprio destino.

 
        Saiba ele encontrar a chave de sua evolução na lei que o proclama herdeiro de si mesmo e conhecerá o porquê das angústias que padece, questão sobre a qual não encontrou ainda explicação alguma que lhe satisfaça.


(A Herança de Si Mesmo - Carlos Bernardo González Pecotche)

A Morte Mandou Lembranças

| | 1 comentários |

A solidão não me feria como uma temível inimiga. A solidão agia como uma doce amiga, que mesmo quando o mundo virava as costas para mim ela estava ali. Onde meus olhos não conseguia enxergá-la, mesmo quando o frio me fazia tremer e minhas pernas enfraquecer, ela estava ali silenciosamente para me abraçar.
E quando a morte chegou finalmente a mim, você doce solidão, não pensou em nenhum momento me abandonar. Quando todos desviaram o olhar ao ver que eu estava morrendo.

Muitos tentaram esquecê-la.

Esquecer que a cada dia estamos mais perto.

Nosso corpo irá falecer e a morte estará ali...

... Bem a sua frente, esperando o momento certo de levar sua alma.

Todos nós passamos por isso algum dia. Em diferentes momentos e em diferentes horas. Nessas artimanhas que nesses tempos evitamos saber, na antiguidade sempre filósofos buscavam entender através de perguntas, as respostas das quais, dúvidas eram mais verdadeiras do que a própria verdade da questão.
Essa é a nossa certeza. A morte que mesmo quando tentamos ainda vem. É a nossa única certeza que nunca é mudada. A imortalidade prova isso, já que até agora não existiu e sem ela, a vida logo se tem seu fim.
Não sabemos como vem, mas sabemos que a cada dia nosso corpo caminha para uma morte lenta.



Mas quem quer saber da verdade?
E na solidão eu fiquei, pois reclamar da falta de sentimentos vividos já tinha me cansado. A alegria acaba. A alegria machuca. E nada muda. Só piora.

Liberdade

| quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 | 1 comentários |
    Então eu estava livre finalmente. Poderia abrir as asas e finalmente ir para o meu caminho e fazer coisas que antes não tinha tempo, mas agora... Estava tão livre que não sabia para onde ir ou sequer escolher qual caminho primeiro.

     Mas não se acanhe. Eu não vou ficar parada por muito tempo que nem uma sombra, pois farei coisas que uma alma jamais fez em sua vida. A escuridão iria me invadir por minha escolha e eu me tornaria um Deus. Eu me tornaria um anjo e por fim, um demônio.

                  Pois é, finalmente estou de férias e talvez eu esteja feliz por isso...

É Tempo de Mudanças

| sexta-feira, 3 de dezembro de 2010 | 3 comentários |
      O tempo passa, e com ele as pessoas e até mesmo as mudanças. Poucos acreditam que as promessas também, mas muitos acreditam em um possível talvez.
      É como esse blog que por poucas postagens parece nem receber atenção, mas o talvez ainda existe e talvez vire um sim de atenção que só o tempo pode deixar a sua existência aparecer diante dos seus olhos.

                Então calma e espere que o talvez vire a resposta que não trouxe a sua pergunta...

Devanios

| | 3 comentários |
           Fazia tempo em que não dormia uma tarde inteira. Era divertido a noção do tempo que meu subconsciente fazia-me acreditar. Dormir para mim nunca foi apenas uma única necessidade de repor as energias, era como meu desejo íntimo de por um momento não existir em um mundo arrodeado de seres que se diziam serem seres humanos.

           Ficar longe de uma realidade da qual conhece-la não é o suficiente para convive-la. Existir apenas em meu subconsciente sem lembrar-me do sonho em que passava por meus terríveis pensamentos devaços.

                Talvez algum dia eu ache a pergunta e dessa vez não uma resposta...